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quinta-feira, 8 de setembro de 2016

A TRAGÉDIA DO PÚLPITO

Por Adiel Teófilo.

Sabe-se que o púlpito é uma peça importante do mobiliário de uma igreja evangélica. E todo bom cristão sabe qual é a sua finalidade dentro da liturgia de um culto. No entanto, os meios de comunicação têm apresentado ao público em geral uma variedade de usos do púlpito, que demonstram claramente o total desvio de sua primordial finalidade no contexto da autêntica celebração evangélica.
Vejamos alguns dos maus usos do púlpito nesse tempo do fim:
Púlpito balcão de negócios: a conquista material e a riqueza são a temática quase que exclusiva e repetitiva dos falsos mestres da teologia da prosperidade. Nada se prega sobre o pecado, a santificação e a salvação em Cristo, dentre outras importantes doutrinas Bíblicas, pois os amuletos, os rituais e congressos de busca financeira ocupam praticamente todo o tempo que as pessoas permanecem nesses ajuntamentos. Não se adora a Deus, mas busca-se um Deus que é “obrigado” a prosperar o homem, qualquer que seja o caminho que está trilhando na direção da eternidade. São lobos devoradores e mercenários insaciáveis pelo lucro à custa da ambição e ganância que despertam nas suas vítimas.   
Púlpito palanque de comédia: a pregação que deveria confrontar o pecado e promover crescimento espiritual, presta-se mais a proporcionar entretenimento ao povo, que facilmente se desmancha em gargalhadas diante de “piadinhas gospel”. Os relatos bíblicos ganham novos contornos interpretativos, numa espécie de comédia grega. Os personagens bíblicos passam a ser satirizadas e até ridicularizados por esses comediantes “evangélicos”. Prestam assim relevante serviço para a satisfação dos prazeres da carne.     
Púlpito divã de psicologia: a psicologia tem seu reconhecido papel no campo da ciência, entretanto não pode ser a base da pregação, expondo assim um evangelho altamente “psicologisado”, com receitas prontas para terapia coletiva no trato de diversos problemas emocionais. A pureza e a autenticidade na exposição das Escrituras deve ser buscada a todo custo, sob pena de se oferecer ensino adulterado, incompleto ou incapaz de produzir os resultados para os quais a Palavra de Deus foi designada. A pregação da Palavra deve ser pública, mas a terapia precisa ser individualizada.
Apesar dessa trágica utilização por alguns segmentos, existem aqueles que prezam pelo uso apropriado do púlpito na liturgia evangélica. A Bíblia Sagrada nesse espaço é apresentada na sua verdade, com seus reais propósitos e na integralidade, sem qualquer ardil ou artifício que a torne mais palatável aos seus ouvintes. A Escritura torna-se assim, de fato e de verdade, a única regra de fé e prática na vida cristã.
Nesse contexto, o evangelicalismo brasileiro precisa renovar a aliança com a Palavra de Deus, a exemplo do povo de Israel no tempo de Neemias, quando pediu que lhe trouxesse “...o livro da lei de Moisés, que o SENHOR tinha prescrito a Israel” (Neemias 8.1). Todo o povo se ajuntou na praça e Esdras, o sacerdote, leu o livro desde o alvorecer até o meio-dia, “...e todo o povo tinha os ouvidos atentos ao livro da lei” (v.3). Naquela ocasião, fora utilizado um “...púlpito de madeira, que fizeram para aquele fim” (v.4), quando então “Leram no Livro, na lei de Deus, claramente, dando explicações, de maneira que entendessem o que se lia”. (Neemias 8.8). Eis aí, portanto, a maneira correta como deve ser utilizado o púlpito durante os cultos verdadeiramente evangélicos.      

A IGREJA DENTRO DA LEI - Homossexualismo (LGBT) e Liberdade Religiosa

Por Adiel Teófilo. 


As reivindicações dos movimentos homossexuais têm provocado divergência de opiniões em vários segmentos da sociedade, inclusive entre denominações evangélicas. Não raras vezes surgem controvérsias de difícil resolução, colocando-se em lados opostos, convicções Bíblicas, e, práticas homossexuais, incluindo nessa expressão a conduta das lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e transgêneros (LGBTTT). Os problemas mais complexos envolvem pessoas que assumem a homossexualidade, porém insistem em permanecer no rol de membros e no exercício de atividades na igreja, mesmo contrariando frontalmente a convicção da instituição religiosa que reprova a homossexualidade.
As questões dessa natureza são de fato muito complexas. No entanto é possível trata-las de forma adequada, respeitando-se inclusive a dignidade da pessoa humana, princípio fundamental da República Federativa do Brasil, constituída em Estado Democrático de Direito, conforme art. 1º, inc. II, da Constituição Federal (CF).
a) Da liberdade de opção sexual
Na verdade, à sombra desse Estado Democrático de Direito, as pessoas em nosso país podem livremente escolher e manter na vida íntima qualquer conduta sexual. Dessa forma, qualquer que seja a opção, mesmo contrária ao entendimento Bíblico da igreja evangélica, a pessoa homossexual não pode ser tratada indignamente. Não pode ser abordada de maneira preconceituosa, nem submetida a nenhuma forma de discriminação, vexame ou constrangimento, por causa da sua escolha sexual. Isso porque o art. 3º, inc. IV, da CF, estabelece dentre os objetivos fundamentais da nossa República o de promover o bem de todos, sem preconceitos de sexo e quaisquer outras formas de discriminação. Veda-se, por conseguinte, qualquer tratamento discriminatório.
Diante disso, as igrejas evangélicas precisam inserir nas suas normas internas disposições jurídicas específicas, observando os preceitos constitucionais e demais normas legais, a fim de lidar corretamente com as questões de homossexualismo. O propósito principal dessa iniciativa deve ser no sentido de sempre buscar solução pacífica para os conflitos, mormente quando as opiniões pessoais entram em choque com as convicções defendidas pela organização religiosa. A conciliação deve ser alcançada acatando não apenas os preceitos que asseguram a liberdade sexual, mas também promovendo o respeito aos princípios Bíblicos defendidos pelas igrejas evangélicas, as quais representam parte expressiva da nossa sociedade.

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